Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor abre a Semana Santa na Diocese de Amparo
Neste último domingo da Quaresma, 29 de março, a Diocese de Amparo celebrou com fé e grande participação dos fiéis o Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor, marco que dá início à Semana Santa, o período mais importante do calendário litúrgico da Igreja.
A Santa Missa foi presidida por Dom Luiz Gonzaga Fechio, com concelebração do Pe. Sidney Wilson Basaglia. A celebração teve início na Igreja Nossa Senhora do Rosário, onde aconteceu a bênção dos ramos, seguida de procissão até a Catedral Diocesana. Ao longo do percurso, numerosos fiéis acompanharam com alegria e devoção, recordando a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém.
O sentido do Domingo de Ramos
Mais do que uma simples procissão, este domingo carrega um significado profundo para a fé cristã. Seu nome completo — Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor — revela a união de duas tradições litúrgicas antigas: a memória da acolhida festiva de Jesus em Jerusalém e a meditação de sua Paixão.
A riqueza da Liturgia da Palavra
A celebração deste domingo possui uma característica singular: a proclamação de dois Evangelhos. Inicialmente, recorda-se a entrada de Jesus em Jerusalém, neste ano segundo o Evangelho de São Mateus. Em seguida, a liturgia apresenta:
- A primeira leitura, do profeta Isaías, que anuncia o Servo Sofredor, figura que os cristãos reconhecem em Cristo;
- A segunda leitura, da carta de São Paulo aos Filipenses, um hino que exalta a humildade e a obediência de Jesus;
- E, por fim, a narrativa da Paixão do Senhor, proclamada de forma solene, conduzindo os fiéis ao coração do mistério pascal.
A bênção e a procissão dos ramos
A celebração se inicia, tradicionalmente, fora da igreja. Após a proclamação do Evangelho da entrada de Jesus em Jerusalém, os ramos são abençoados e os fiéis seguem em procissão.
Com cantos e orações, a comunidade revive aquele momento em que o povo acolheu Cristo com alegria, proclamando “Hosana”, expressão que significa “Salva-nos”. Ao final da celebração, os ramos bentos são levados para casa, como sinal de fé e recordação da realeza de Cristo, uma realeza marcada pela Cruz.
A homilia: um chamado à transformação
Durante a homilia, Dom Luiz Gomes convidou os fiéis a refletirem profundamente sobre o sentido da Semana Santa. Ele destacou que este tempo não deve se limitar a práticas externas, mas provocar uma verdadeira transformação interior.
O bispo questionou: “Esta semana vai ser apenas uma semana ou vai transformar todo o nosso ano?” Em um mundo marcado por desafios e inseguranças, ele ressaltou que a vivência autêntica da fé deve gerar mudanças concretas na vida pessoal e na sociedade.
Ao comentar as leituras, Dom Luiz recordou a figura do Servo Sofredor e destacou o exemplo de Cristo que se esvazia de si mesmo. Em contraste com uma cultura marcada pelo orgulho e autossuficiência, o Evangelho convida ao esvaziamento e à humildade.
Outro ponto forte da reflexão foi o alerta sobre o chamado “Alzheimer espiritual”, expressão utilizada pelo Papa Francisco para descrever a incoerência daqueles que, assim como a multidão, passam rapidamente do “Hosana” ao “Crucifica-o”. O bispo exortou os fiéis a cultivarem um olhar diferente: um olhar que não julga, mas levanta, acolhe e ama.
Por fim, destacou a importância de reconhecer Cristo não apenas na liturgia, mas também nos “crucificados” de hoje — os sofredores, os esquecidos e os marginalizados da sociedade.
Um convite à vivência da Semana Santa
A Diocese de Amparo convida todos os fiéis a viverem intensamente este tempo santo. A Semana Santa é uma oportunidade única de aprofundar a fé, renovar a esperança e caminhar com Cristo em seu mistério de paixão, morte e ressurreição.
Que cada comunidade, paróquia e fiel se abra à graça deste tempo, fazendo dele não apenas um momento passageiro, mas um verdadeiro caminho de conversão e encontro com o Senhor.






















