Celebração da Paixão do Senhor marca a Sexta-feira Santa

Celebração da Paixão do Senhor marca a Sexta-feira Santa em Pedreira

Na tarde desta sexta-feira, 3 de abril, às 15 horas, foi celebrada a Ação Litúrgica da Paixão do Senhor na comunidade Santa Clara, pertencente à Paróquia Sant’Ana, na cidade de Pedreira. A celebração foi presidida pelo bispo diocesano, Dom Luiz Gonzaga Fechio, reunindo fiéis para a contemplação do mistério central da fé cristã: a paixão e morte de Jesus Cristo.

A Sexta-feira Santa é marcada por uma liturgia profundamente sóbria e contemplativa. Neste dia, a Igreja não celebra a Santa Missa, e as comunidades são convidadas a mergulhar no silêncio e na oração, recordando o sacrifício de Cristo na cruz pela salvação da humanidade. A celebração é composta pela Liturgia da Palavra, pela Adoração da Cruz e pela Comunhão Eucarística.

Em sua homilia, Dom Luiz Gonzaga Fechio conduziu os fiéis a uma profunda reflexão sobre o significado espiritual do “vazio” vivido neste dia. O bispo destacou que os sinais litúrgicos da celebração — como o altar despojado e a ausência de insígnias episcopais, como o cajado e o anel — expressam simbolicamente o esvaziamento total de Cristo e convidam cada fiel a também se despojar de si mesmo para abrir espaço à presença de Deus.

Dom Luiz manifestou ainda preocupação com a indiferença da sociedade diante do significado da Sexta-feira Santa, lamentando que, muitas vezes, o ritmo cotidiano permaneça inalterado, mesmo em um dia tão significativo para os cristãos. Segundo ele, a cultura contemporânea frequentemente ignora o sentido do silêncio, do recolhimento e da contemplação que este momento pede.

A reflexão do bispo também destacou o cumprimento das profecias bíblicas na pessoa de Jesus. Ao recordar o quarto canto do Servo Sofredor, presente no livro do profeta Isaías, Dom Luiz explicou como a figura descrita séculos antes encontra pleno cumprimento em Cristo, que assume o sofrimento humano para trazer a luz da salvação. Do mesmo modo, a Carta aos Hebreus apresenta Jesus como o verdadeiro e definitivo Sumo Sacerdote, que oferece não um sacrifício externo, mas a si próprio pela redenção da humanidade.

Outro ponto central da homilia foi o significado do lado aberto de Cristo na cruz, de onde brotam sangue e água, símbolo do nascimento da Igreja e dos sacramentos. Segundo o bispo, é deste gesto de entrega total que brota a vida sacramental da Igreja, sinal da união entre a divindade de Deus e a humanidade.

Dom Luiz também convidou os fiéis a refletirem sobre as palavras de Jesus na cruz: “Tenho sede”. Mais do que uma necessidade física, explicou o bispo, essa expressão revela a profunda sede espiritual de Cristo pela humanidade, um chamado para que cada pessoa se deixe encontrar por Deus em sua própria realidade.

Ao concluir sua reflexão, o bispo recordou a presença silenciosa de Maria junto à cruz, apresentando-a como modelo de fidelidade e amor diante do sofrimento. A Mãe de Jesus, segundo ele, ensina os fiéis a permanecerem firmes junto ao Senhor mesmo nos momentos de dor e provação.

Após a homilia, foi realizada a Oração Universal, momento solene em que a Igreja eleva suas preces por toda a humanidade. Em seguida, teve início a segunda parte da celebração, a Adoração da Cruz, quando os fiéis foram convidados a um gesto de profunda reverência à Santa Cruz de Cristo. Durante este rito, o bispo proclamou: “Eis o lenho da cruz, do qual pendeu a salvação do mundo. Vinde, adoremos”, conduzindo a assembleia a este momento de fé e contemplação.

Após a adoração, a celebração foi concluída com a distribuição da Sagrada Comunhão e, por fim, com a bênção. De maneira simples e silenciosa, os fiéis retornaram às suas casas, convidados a permanecer em atitude de recolhimento e oração, próprios deste dia tão significativo da fé cristã.

A Diocese de Amparo convida todos os fiéis a viverem este dia com espírito de recolhimento, silêncio e profunda oração, contemplando o mistério da cruz e preparando o coração para a celebração da Ressurreição do Senhor.

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