Quarta-feira de Cinzas

Quarta-feira de Cinzas abre a Quaresma: tempo favorável de conversão e graça

A Quarta-feira de Cinzas marca o início da Quaresma, tempo forte de preparação para a Páscoa do Senhor. Durante quarenta dias, a Igreja convida os fiéis a um caminho de conversão, reconciliação e renovação espiritual, à luz da Palavra de Deus e da prática das obras de misericórdia.

Receber as cinzas sobre a cabeça é um gesto simples, mas profundamente simbólico. Ao ouvir as palavras “Convertei-vos e crede no Evangelho” ou “Lembra-te de que és pó e ao pó voltarás”, somos chamados a reconhecer nossa fragilidade e, ao mesmo tempo, a confiar na infinita misericórdia de Deus.

Um chamado à conversão do coração

A liturgia deste dia apresenta o forte apelo do profeta (cf. Jl 2,12-18): “Convertei-vos a mim de todo o vosso coração”. Não se trata apenas de práticas externas, mas de um retorno sincero ao Senhor. “Rasgai o vosso coração e não as vossas vestes”, insiste o texto sagrado, recordando que Deus deseja uma transformação interior.

A conversão é um movimento de volta: voltar-se para Deus, retomar o caminho, reconstruir a aliança. E isso é possível porque Ele é “clemente e compassivo, paciente e rico em misericórdia”. A Quaresma, portanto, não é tempo de medo, mas de esperança.

Reconciliai-vos com Deus

Na segunda leitura (cf. 2Cor 5,20–6,2), São Paulo faz um apelo direto: “Reconciliai-vos com Deus”. A reconciliação é dom oferecido por Cristo, que assumiu sobre si o pecado do mundo para nos devolver a amizade com o Pai.

A Quaresma é chamada pela Igreja de “tempo favorável”, “dia da salvação”. É oportunidade concreta de retomar a vida sacramental, especialmente pela Confissão, e de permitir que a graça de Deus transforme nossas atitudes, nossas relações e nossa maneira de viver.

Esmola, oração e jejum: caminhos de autenticidade

No Evangelho (cf. Mt 6,1-6.16-18), Jesus apresenta as três práticas tradicionais da Quaresma: esmola, oração e jejum. Ele, porém, alerta para o risco da superficialidade e da busca por reconhecimento.

A verdadeira prática quaresmal nasce da intimidade com o Pai:

A esmola expressa a caridade concreta e a partilha com os necessitados.

A oração fortalece nossa relação pessoal com Deus.

O jejum educa o coração, ajudando-nos a ordenar desejos e a exercitar o domínio de si.

Tudo deve ser feito “no segredo”, isto é, com reta intenção. O Pai, que vê o que está oculto, conhece as motivações mais profundas do coração.

Tempo de graça para toda a Igreja

A Quaresma não é vivida individualmente apenas; é um caminho comunitário. Toda a Igreja se coloca em atitude de penitência e oração, preparando-se para celebrar a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus.

No Brasil, este tempo também é marcado pela Campanha da Fraternidade, que convida à reflexão e ao compromisso social à luz do Evangelho.

Que esta Quarta-feira de Cinzas seja, para cada fiel, um verdadeiro ponto de partida. Que possamos viver este tempo com seriedade, mas também com confiança e alegria, certos de que Deus nos chama não para a tristeza, mas para a vida nova em Cristo.

A Quaresma é caminho de deserto, mas também de encontro. É tempo de silêncio, mas sobretudo de escuta. É tempo de penitência, mas principalmente de amor que renova.

Que seja, para todos nós, um verdadeiro tempo favorável de conversão e salvação.

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