Apresentação do Senhor: a festa do encontro, da luz e da esperança
02 de fevereiro
Celebrada no dia 2 de fevereiro, quarenta dias após o Natal, a Festa da Apresentação do Senhor ocupa um lugar singular no calendário litúrgico. Ela une dois grandes mistérios: a manifestação de Cristo como luz para todos os povos e o seu ingresso no Templo, sinal de que Deus entra definitivamente na história humana.
Desde o século IV, esta festa já era celebrada em Jerusalém com o nome de Hypapántè, palavra grega que significa “encontro”. Com o tempo, espalhou-se pelo Oriente e pelo Ocidente, chegando a Roma no século VII. A partir do século X, consolidou-se o costume da bênção das velas, razão pela qual a celebração também é conhecida como Candelária.
O Filho apresentado ao Pai… e aos homens
O Evangelho de Lucas narra que José e Maria levam o Menino Jesus ao Templo para cumprir a Lei de Moisés, que prescrevia a consagração do primogénito ao Senhor e o rito de purificação da mãe. No entanto, este gesto vai muito além de uma simples observância legal.
Na Apresentação do Senhor, não são apenas os pais que oferecem o Filho a Deus: é o próprio Deus que apresenta o seu Filho à humanidade. Isso acontece pela voz profética de Simeão e Ana, figuras que representam o Israel fiel, vigilante e esperançoso.
Simeão, movido pelo Espírito Santo, reconhece no Menino a salvação preparada para todos os povos, proclamando-O como luz para iluminar as nações e glória de Israel. Ao mesmo tempo, anuncia que essa luz será sinal de contradição, revelando os pensamentos dos corações. A profecia da espada dirigida a Maria recorda que a missão de Cristo passa pelo sofrimento e pela entrega total, que culminarão na cruz.
Cristo, luz que purifica e salva
A liturgia desta festa dialoga profundamente com a primeira leitura do profeta Malaquias, que anuncia a entrada do Senhor no seu Templo como fogo do fundidor, capaz de purificar e refinar. Cristo não entra no Templo apenas para cumprir a Lei, mas para transformar o culto, inaugurando a nova Aliança com a oferta da sua própria vida.
A Carta aos Hebreus aprofunda este mistério ao afirmar que o Filho de Deus assumiu a nossa carne e o nosso sangue para nos libertar do poder da morte. Tornando-se semelhante a nós em tudo, exceto no pecado, Cristo revela-se Sumo Sacerdote misericordioso e fiel, capaz de socorrer todos os que são provados.
Assim, a Apresentação do Senhor já aponta para o mistério pascal: o Menino oferecido no Templo é o mesmo Cristo que se oferecerá plenamente na cruz, para a redenção do mundo.
A Igreja, lugar do encontro
O encontro de Jesus com Simeão e Ana no Templo é também imagem daquilo que continua a acontecer hoje na Igreja. É nela que os homens e mulheres de todos os tempos encontram o Senhor, escutam a sua Palavra e O acolhem na Eucaristia.
A procissão com velas, característica desta celebração, exprime visivelmente esta realidade: o povo de Deus caminha ao encontro de Cristo, luz que guia, aquece e ilumina. A vela acesa recorda que a fé não é apenas algo interior ou privado, mas uma luz destinada a brilhar na vida quotidiana, nas relações, nas escolhas e no testemunho cristão.
Uma luz para ser partilhada
Celebrar a Candelária é renovar o compromisso de levar a luz de Cristo ao mundo. A fé não nos foi dada apenas para iluminar o nosso caminho pessoal, mas para se tornar luz para os outros: na bondade concreta, na paciência, no apoio aos mais frágeis, na esperança que não se apaga.
Enquanto aguardamos o encontro definitivo com o Senhor, somos chamados a viver cada Eucaristia como um verdadeiro hypapántè: um encontro real com Cristo que nos prepara para o dia em que Ele próprio nos apresentará ao Pai, na plenitude da vida.
“Eu sou a luz do mundo. Quem Me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8,12).